[Indexada a mais um degrau subido na escada da experiência profissional.]
quarta-feira, 25 de julho de 2012
terça-feira, 24 de julho de 2012
Dos Sinónimos.
RAFEIRO = Aquele animal que levou tanta pancada na puta da vida que um dia deixa de sentir dor. Deixa de sofrer com as desilusões causadas pelos donos, de andar sempre a toque de pontapé e por mais quieto que esteja, está sempre no sítio errado, sempre a causar transtorno a alguém. O rafeiro só é útil quando há ossos para deitar fora. Não se trata de bondade alimentar um rafeiro, trata-se de uma questão de dar jeito apenas. Logo a seguir além dos ossos, come no focinho ainda por cima. Rafeiro Vira-Lata nunca está sozinho. Rafeiro Vira-Lata, está sempre só.
[Rafeiros nem sempre são cães.]
terça-feira, 17 de julho de 2012
A Minha Primeira Vez.
Estava nervosa. Eu fico sempre nervosa com uma primeira vez. Não sabia como ia ser o meu desempenho. Não estou habituada a tamanhos pequenos. Também sou discreta e não gosto de ter muita gente a avaliar o meu desempenho. Às vezes não sabia muito bem que posição adoptar, se mais agressiva ou ligeiramente mais na defensiva, só para mostrar insegurança, a falsa insegurança, aquela que todos gostam de simular. Nunca tinha estado com três. Normalmente só com cinco. O tempo não ajudava, não podia demorar mais de três segundos. Três segundos é muito pouco, eu iria esquecer-me que tinha tão pouco tempo. Eu esqueci que tinha pouco tempo, fiz a coisa durar um pouco mais e... fui castigada. O castigo foi leve, já levei piores. Também nunca tinha tido uma mulher a comandar, confesso que fiquei surpreendida com a sua calma e descontracção, ela sabia o que fazia. Já houve homens bem mais nervosos e impacientes.
Balanço final: Vitória. Um golo marcado. Vários cortes de bola. E duas falhas na defesa que podiam ter acabado em golo. Esta cena do Fut 3 até é gira. É a tal coisa, com a prática, ficamos sempre melhores.
[E venham as próximas esta noite!]
quarta-feira, 6 de junho de 2012
Isto Por Aqui...
Uma coisa é Sharm El Sheikh. Outra coisa é Ramadan City. Não tem águas límpidas nem bebidas à beira da piscina. Tem trânsito caótico-assassino, tem pó e zonas áridas a perder de vista. Tem edifícios inacabados, tem mesquitas abandonadas. Esta é uma realidade que não nos vendem as agências de viagens. Esta é a visão que eu prefiro. É a visão que me permite conhecer as pessoas com quem trabalho e a sua circunstância. Que me permite compreender as suas atitudes e o porquê de as coisas nem sempre correrem ao ritmo que esperamos. Ao ritmo de uma multinacional alemã.
Aqui, ou noutro lado do mundo, fora de um escritório com ar condicionado e uma visão para as estrelícias gigantes, eu tenho consciência do quão pouco eu sei, do quão inexperiente eu sou e do quanto eu preciso aprender.
As pessoas são de uma hospitalidade incrível, impossível negar-lhes um chá e ficam quase que ofendidas por lhes dizermos que preferimos um copo de água. Seja o chá. O chá que hoje foi o suficiente para o ice break com dois homens que praticamente nos queriam despachar e que acabaram a pedir-nos ajuda para os seus problemas em produção. Aprendemos que é preferível o chá ao café turco.
O Nilo é uma visão deslumbrante, mas a visão que ontem tive do alto do Cairo, é um sonho. As pirâmides, são imponentes mas o ambiente à sua volta, aquelas pessoas todas que se dirigem a nós intimidam um pouco. Não que sejam maldosos, mas estão tão ávidos por dinheiro que, vendo estrangeiros não os largam à espera de uns dólares. Estive em el Khalili, bebi assab de uma taverna que fedia a não sei que animal morto e só me lembro de pensar que não podia fazer a desfeita ao simpático motorista que nos levou a ver o verdadeiro Cairo, comprou-nos tremoços e grão aos quais juntamos sumo de lima. Incrivelmente... adorei. Impossível dizer que não a pessoas tão amáveis.
A Stella é muito boa mas eu prefiro a Sakara. Os senhores do hotel tratam-me como uma princesa, sempre com special offers e bolinhos a acompanharem o espresso, que eu como com dificildade porque não aprecio doces, mas longe de mim desagradá-los. Já sabem o que bebo e estão sempre a perguntar se gosto da comida, claro que gosto da comida, eu gosto sempre de comida, sou boa boca como dizem por aí.
A Stella é muito boa mas eu prefiro a Sakara. Os senhores do hotel tratam-me como uma princesa, sempre com special offers e bolinhos a acompanharem o espresso, que eu como com dificildade porque não aprecio doces, mas longe de mim desagradá-los. Já sabem o que bebo e estão sempre a perguntar se gosto da comida, claro que gosto da comida, eu gosto sempre de comida, sou boa boca como dizem por aí.
Os negócios são regateados, os preços nunca são suficientemente baixos e o bluff é tremendo. Nada como um frente a frente para melhor perceber o que pensam mesmo. Fui tratada como uma deusa no maior cliente que aqui temos, que eu sabia ser enorme mas nunca tão enorme, com edifícios e torres enormes. Tremia de ansiedade, no meio de técnicos e comerciais. Acho que me saí bem, que fui eu e que eles gostam do meu eu.
Não está a ser uma viagem fácil, afinal de contas, não é fácil tentar andar de fato neste calor,fazer quilometros em carros sem ar condicionado e estradas cheias de buracos, onde o trânsito é um salve-se quem puder e a toda a hora parece que um carro vem contra nós. Mas é tão gratificante poder conhecer as pessoas que, antes de verem como nós somos, já nos respeitam, já gostam de nós. Dá-nos motivação para querermos crescer ainda mais, sermos ainda melhores.
Bom, até agora a melhor notícia (ou pior) é que ainda ninguém ofereceu camelos por mim, apesar de já ter recebido propostas para ser a segunda mulher do meu querido motorista de ontem, o Ali! Acho que apesar do cabelo claro, não tenho peso suficiente para constituir um bom objecto para troca!
segunda-feira, 4 de junho de 2012
Actualidade.
Não, não foi a sentença do Mubarak que causou alvoroço no Cairo.
Foi mesmo a chegada da *XS*.
[A mãe da *XS* disse que se voltarem dois camelos no lugar dela, não haverá problema. Certamente comem menos que ela.]
sexta-feira, 25 de maio de 2012
quinta-feira, 24 de maio de 2012
Aquele Homem...
Não são os homens bonitos que me deslumbram. Os que têm corpos de deuses gregos, raramente representam desafio intelectual. Também não sou assim tão cínica para dizer que a beleza está só no interior da pessoa, no seu bom coração e na sua devoção a Cristo. Por outro lado, tenho uma aptidão estúpida para testar os limites das pessoas e como Pavlov, tenho o gosto maldoso em saber quais serão as reacções da pessoa consoante as minhas atitudes. Homens com fraca auto-estima, por exemplo, se me vêem como muro das lamentações, eu faço o meu papel de boa samaritana. Se ainda assim as lamentações persistem, eu não me controlo e digo logo que não tenho paciência para choradeira, normalmente acaba mesmo em choradeira, não a minha. A minha intolerância à fraqueza é diminuta, inexistente praticamente. Homens com excesso de auto-estima, se normalmente for de índole física, deitam-se abaixo facilmente. É perguntar-lhes se gostaram do "Admirável Mundo Novo" de Kafka, eles dizerem que sim e desviarem a conversa para o Chelsea VS Bayern do último fim de semana [aquela rotação de cabeça do Drogba foi qualquer coisa], e a conversa morrer no União de Leiria que qualquer dia é um clube satélite do Marinhense. Homens presunçosos, dão-me fastio. Dão-me fastio porque normalmente a presunção não passa de uma degeneração da vaidade, do excesso de gajas ocas tipo borboletas à volta de uma lâmpada que normalmente já está praticamente fundida, já deu o que tinha a dar.
Aquilo que me deixa realmente insegura, não não é saber onde e com quem é que ele estava quando não me atendeu o telefone. Aquilo que realmente me deixa mesmo mesmo insegura, é aquele tipo de homem. O homem que, sem nos ridicularizar ou menosprezar, nos ensina aquilo que sabe. Aquilo que dita a sua experiência de vida. Que sem perder a compostura, nos desanca como se não passássemos de uma criança a fazer uma birra por um chupa-chupa. Aquele tipo de homem que nos mostra quão insolentes somos quando achamos que sabemos tudo. Que nos faz tremer só em pensar que vamos estar com ele e temos medo de não nos sabermos comportar como uma Mulher deve saber. Aquele homem que nos ignora e faz questão de mostrá-lo quando temos aquelas atitudezinhas de gaja insegura que para se sentir melhor, escolhe uma outra a quem menosprezar. Aquele tipo de homem que também nos faz sentir uma mulher de verdade quando, old fashioned [não acho mas há quem ache], nos abre a porta para passarmos, nos elogia não o rabo ou as pernas, mas sim aquele cliente que tanto nos custou a ganhar ou a nossa capacidade de reconhecermos o quão errada estava a nossa atitude de que é fácil uma mulher reunir com um homem saudita. Aquele homem que, sem fazer jogo de manipulação, nos leva quase sem darmos por ela, a fazermos o que ele realmente quer. Aquele homem que sabe exactamente degustar e afirmar que "sim, é este o vinho", e saber realmente que é aquele, o vinho. Aquele homem que tem humor, não um humor palhaço mas um humor inteligente, elegante. Aquele homem que nos dá colo e logo o seu abraço faz com que esqueçamos tudo o resto. Aquele homem que nos estimula o crescimento pessoal e profissional, que faz com que queiramos amanhã ser melhores do que fomos hoje. Aquele homem para quem olhamos e dizemos, eu quero estar ao teu nível, não por ti, mas porque vejo em ti um exemplo do que eu poderei atingir também. Aquele homem que sabe reconhecer que errou, que sabe que os nossos cinco minutos são meia hora e no entanto faz uma piada jucosa sobre a nossa capacidade de nem sempre conseguirmos ser pontuais. Que sabe que a nossa atitude de criança travessa jamais desaparecerá. Que fica radiante por nos ver dar toques numa bola qual maria-rapaz e nos deixa usar jeans rotas e largas, cabelo desgrenhado e um boné na cabeça, desde que enão seja no jantar de gala da empresa. Aquele homem que sabe que eu amo de paixão Green Day e não pede para eu mudar para algo menos grunge. Este, é o tipo de homem que me assusta, que me deixa insegura com medo de não estar à sua altura e de parecer sempre uma miúda sem argumentos, sem capacidade de refutar. A pior coisa que pode acontecer-me é eu ter de dizer "Sim, tens razão", sem um simples argumento, só porque aquele homem, me intimida.
São raros, mas existem. Algures.
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